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OSCARS 2016 | O Resumo da Noite

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Uma noite gloriosa que ficou marcada pela consagração do actor Leonardo DiCaprio, após uma série de nomeações, e pela polémica que se gerou à volta da descriminação racial na indústria… Uma noite que prometia algumas das corridas mais acesas dos últimos anos às grandes categorias e que esteve recheada de surpresas, a começar pelo monólogo de abertura de Chris Rock, cujo protagonismo se foi perdendo gradualmente ao longo de uma cerimónia em que talvez se tenha levado longe de mais a temática racial (quer dizer, quase todos os discursos e momentos não relacionados com prémios envolviam o tema). E até mesmo a glória de outros tempos se foi perdendo, com os sucessivos cortes aos discursos dos vencedores, substituídos por mensagens de rodapé que de marcantes nada têm, a parte de algumas personalidades que merceram mais tempo para discursar, sem qualquer justificação. Foi esta constrangedora falta de respeito aliada ao exagero e à repetição que saltaram à vista em muitos dos momentos que me fizeram considerar esta como uma das cerimónias menos empolgantes e gloriosas dos últimos anos.

Numa altura em que a indústria cinematográfica vê em terreno positivo as prespectivas para o futuro, com um grande ano de 2015 em termos de espetadores e de receita, seria de esperar uma tentativa de reconciliação com o público em geral na cerimónia mas ainda não foi desta… Mais do que uma cerimónia que congratula os grandes feitos no cinema, os Óscares tornaram-se numa indústria com uma identidade muito característica, visível na exuberância dos vestido e no glamour, perdendo-se por vezes aquele que é o verdadeiro objectivo da noite mais longa da sétima arte. Mas até mesmo neste desfile de estrelas, tenho que admitir que sempre achei alguma piada a assistir à longa hora de passadeira vermelha, sobretudo pela antecipação à cerimónia. Mas deixando de lado este comentário mais pessoal, a verdade é que tudo começou bem e Chris Rock arrasou no discurso de abertura com diversas referências à recente polémica instalada.

A ideia de realizar a entrega de prémios contemplando os vários processos da arte tornou toda a cerimónia mais teatral, o que foi um toque mais refrescante e agradável para começar a festa. Os dois primeiros prémios da noite, para Melhor Argumento Original e Adaptado, entregues de forma justa a O Caso Spotlight e A Queda de Wall Street respectivamente, foram possivelmente os prémios mais seguros da noite (bem não tanto como a vitória de DiCaprio que foi alvo de referências durante toda a noite, até mesmo com a presença de um urso na plateia) e reflectiram a grande qualidade nos enredos de ambos os filmes que deixaram mossa e marcaram por situações que são autênticos motivos de vergonha para a sociedade.

Daqui em diante, a cerimónia ficou sobretudo marcada pela odisseia épica de George Miller (que merecia ter levado a estatueta de Melhor Realizador) Mad Max: Estrada da Fúria, que triunfou nas categorias técnicas deixando apenas de lado a Melhor Fotografia para o filme The Revenant: O Renascido e o prémio para Melhores Efeitos Visuais, entregue de forma surpreendente ao indie de ficção-científica Ex-Machina, uma das grandes surpresas do ano passado que merecia uma nomeação para Melhor Filme.

A obra de George Miller recebeu 6 Óscares mas o ímpeto na cerimónia fazia prever muitos mais, igualmente merecidos, pelo menos pela marca que deixou durante o circuito de prémios ao provar que existe prestígio e oportunidade para blockbusters de grande qualidade e que é possível surpreender e deixar tudo boquiaberto com sequelas e regressos anos mais tarde. A nível de actores, Alicia Vikander recebeu o prémio de Melhor Actriz Secundária por A Rapariga Dinamarquesa, ainda que tenha tido um desempenho intrigante e desafiador no filme Ex-Machina e Mark Rylance surpreendeu tudo e todos ao “roubar” a Sylvester Stallone o prémio de Melhor Actor Secundário, naquela que parecia ser a altura ideal para Stallone receber um Óscar (era o timing perfeito caramba!), relembrando-me subitamente de que o desempenho de Rocky nem foi tido em conta pelo sindicato de actores.

A nível de som, a vitória de Mad Max foi complementada com o prémio de Melhor Banda Sonora, atribuído àquele que é um dos maiores compositores e que mereceu sem sombra de dúvidas este reconhecimento, Ennio Morricone, pelo trabalho ímpar no filme de Tarantino Os Oito Odiados que nos fez regressar à típica atmosfera dos Westerns. E foi neste segmento que surgiu mais uma das surpresas da noite, quando Lady Gaga vê Sam Smith vencer o prémio de Melhor Música Original por ‘Writing’s On the Wall’, a música que acompanha o genérico pouco apelativo de Spectre.

Brie Larson, deslumbrante e encantadora, recebe o prémio de Melhor Actriz pelo desempenho incrível naquele que é um dos filmes mais marcantes dos últimos anos, Quarto, participando num dos momentos mais encantadores da cerimónia ao agradecer ao miúdo do momento, Jacob Tremblay. E para fechar a lista de actores congratulados, resta-me falar da consagração mais esperada da noite que culminou em aplausos em pé por parte de toda a plateia quando Leonardo DiCaprio subiu ao palco para reclamar o Óscar de Melhor Actor, pelo desempenho difícil e memorável em The Revenant: O Renascido. Mesmo que merecida a vitória, há que dizer que Leonardo DiCaprio vence o Óscar por uma interpretação que fica um pouco atrás quando olhamos em retrospectiva para a filmografia do actor.

O prémio para Melhor Filme de Animação foi sem surpresas entregue a Inside Out, o filme que trouxe ao grande ecrã a glória e o prestígio da parceria Disney/Pixar e que venceu de forma merecida numa categoria com candidatos de grande qualidade onde se destaca a presença do filme Anomalisa, um espécimen muito curioso do cinema de animação mais adulto que espelha a natureza humana de forma detalhada e realista. A homenagem à irreverente cantora Amy Whinehouse apresentada numa forma mais pessoal, íntima e marcante em Amy foi mercedora do prémio para Melhor Documentário e Son of Saul foi eleito o Melhor Filme Estrangeiro.

Mas foi ao fechar a noite que Hollywood assitiu a uma revirovolta surpreendente… Sobretudo após Alejandro G. Iñárritu ter sido reconhecido pelo segundo ano consecutivo como o Melhor Realizador pelo seu filme The Revenant: O Renascido, levando a melhor perante George Miller, o homem que merecia ser congratulado após o esforço e dedicação demonstrados num dos mais loucos, incríveis e empolgantes espetáculos de que há memória no grande ecrã. Quando tudo fazia crer, sobretudo após a vitória na categoria de Melhor Realizador, que a última categoria da noite estaria encerrada, eis que Morgan Freeman anuncia de forma surpreendente o grande vencedor da noite: O Caso Spotlight, seguido de um “Fuck Yeah!” por parte de Michael Keaton, um trabalho notável que retratou o jornalismo de investigação de forma empolgante e memorável, deixando espaço para reflexão sobre toda a temática da pedofilia na Igreja Católica.

Terminou assim, com muitas surpresas uma das noites mais surpreendentes dos últimos anos, ainda que a cerimónia não tenha feito justiça a tal facto. Deixo-vos com links  para as minhas análises a alguns dos filmes vencedores da noite!

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