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Crítica | Como Ser Solteira (2016)

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como ser solteira

  • De: Christian Ditter
  • Com:  Dakota Johnson, Rebel Wilson, Leslie Mann
  • 1h50min

Com o aproximar do dia dos Namorados, temos uma nova comédia romântica entre nós que, ironicamente, aborda o bom de ser solteiro ignorando os dias passados por baixo de uma manta a chorar a comer gelado do balde às colheres enquanto se vê o filme da tarde da TVI (daqueles mesmo impecáveis). Pois bem, Christian Ditter apresenta-nos um romance mais discreto e menos sentimental quando comparado com o predecessor Love, Rosie em que somos confrontados com cinco pontos de vista diferentes daquilo que é a vida ideal. Cinco perspetivas de uma vida de solteiro, bem características e repletas de clichés e estereótipos que uma comédia destas tipicamente incorpora. Como ser Solteira faz uma ponte simpática entre a comédia e o romance com um elenco repleto de nomes conhecidos como Dakota Johnson, a menina que morde os lábios nas sombras cinzentas, Rebel Wilson, a Fat Amy do Pitch Perfect que surge cada vez com mais frequência em comédias carregadas de estrogénio e Alison Brie.

Ainda que a história seja apresentada de forma aceitável, mesmo com piadas mais exageradas (das quais Rebel Wilson é responsável), as transições repentinas de momentos mais carregados de drama (os ditos cujos momentos de geladinho por baixo da manta) para momentos de festa dura e rija são algo contraditórias. A tentativa de tentar recriar os altos e baixos de uma vida de solteiro tem potencial mas não combina com o estilo mais cómico e desajeitado que salta por vezes ao de cima durante o filme e o facto de existirem diversas personagens a seguir dificulta o desenvolvimento destas. Por um lado temos uma viciada em encontros online que desenvolveu a estratégia perfeita e infalível para encontrar o homem da sua vida enquanto se torna numa enorme ameaça à vida de “solteirão” do dono do bar do momento, ao passo que por outro temos uma viciada em festas e em aproveitar a vida ao máximo, sem pressas nem receios, segura e animada. Temos também a independente que achava que uma relação só lhe iria perturbar a carreira e a recém-solteira que se separou do namorado por motivos inocentes.

Nesta caminhada ou diga-se festa de duas horas seguimos então vidas de pessoas que em comum partilham o facto de estarem solteiras, em busca do par perfeito que lhes coloque um ponto final na solidão. Uma história que se foca nas várias formas de ser solteiro e que tira partido de personagens um tanto ou quanto previsíveis que, no meio de uma jornada mais ou menos divertida em busca de amor e do engate, acabam por tirar conclusões e refletir sobre si próprias, aprendendo a viver e a aceitar o amor de uma forma diferente. Uma espécie de pequenas histórias que vão colidindo umas com as outras num ambiente divertido e descontraído que conta com as discussões e os dramas que tipicamente acompanham uma relação.

Ainda que comédias mais sentimentais comecem a invadir Hollywood, como foi o caso de Bridesmaids, a verdade é que não consegui estabelecer grande ligação com as personagens nem me senti envolto pelos dramas e alegrias. Honestamente, é como se tudo tivesse lugar e no final nada fica retido, tirando alguns diálogos e momentos mais agradáveis. Sendo a pessoa suspeita que sou a falar de filmes do género, devo admitir que o mais importante, pelo menos para mim, nestas histórias é criar uma ligação com o espetador de forma que este se sinta empolgado e curioso e em Como ser Solteira isto não aconteceu, pelo menos de forma segura. Há alguns detalhes nas personagens que se destacam e levam-nos a torcer por estas mas o exagero na comédia evita que se crie alguma tensão mais dramática (pelo menos a necessária para me deixar empolgado).

Há no entanto que referir o processo de descoberta das personagens em que estas se vão conhecendo aos poucos ao longo do filme, refletindo o crescimento individual e a forma como estas procuram aprender a aproveitar os momentos e a tirar partido de uma vida a sós, porque ser solteiro vai muito para lá de grandes farras e de desilusões. Como ser Solteira é uma comédia romântica ligeira que não acrescenta muito ao género, ainda que tenha uma premissa simpática e um curioso desenvolvimento de personagens. A história vive muito à volta de dilemas e de festas, deixando para trás detalhes que lhe dariam um maior valor. Para um filme que se apresenta com uma premissa que daria facilmente um ou dois comming-of-age interessantes, é notória a tentativa de não tornar o filme numa comédia desnecessária, exagerada e pouco apelativa mas, pelo menos na minha opinião, fica a faltar algo que lhe confira um valor acrescido.

stars_09

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2 Comments

  1. Desde o início que tinha a sensação de que não iria gostar deste filme. Agora ainda menos vontade tenho de o ver :/

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