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Crítica | As Cinquenta Sombras de Black (2016)

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  • De: Michael Tiddes
  • Com: Marlon Wayans, Kali Hawk, Mike Epps
  • 1h32min

Imaginem-se sentados numa cadeira sem assento, numa sala escura vazia de ideias e repleta de instrumentos de tortura (sim, cariz sexual incluído)… É mais ou menos isto o equivalente a experienciar os cerca de noventa minutos de “comédia” (?), dolorosos e sem o mínimo tipo de respeito pelo cinema, oferecidos numa nova paródia daquelas que continuam a aparecer como pequenas pragas impossíveis de exterminar. Ainda se lembram quando paródias destas tinham a sua piada? O conceito de comédia “à bruta”, sem dedicação e sem sentido, apresentado em Scary Movie tem vindo a ser reutilizado em filmes com um número razoável de semelhanças e os resultados têm sido, na melhor das hipóteses, lastimáveis. Tudo bem que se verifique algum sucesso a nível de bilheteira mas caramba, será que ainda não chega?! Lambuzemos então as entranhas d’ As Cinquenta Sombras de Black contemplando as minhas posições desconfortáveis na minha cadeira enquanto tentei ultrapassar, com muitas dificuldades, esta dura e difícil experiência.

Há uma linha que separa o tolerável do aceitável e é esta mesma fina recta imaginária que define as fronteiras de duas realidades distintas que é cruzada vezes e vezes sem conta por um pobre argumento em que é impossível encontrar um pouco de humor pelo meio. É como se alguém vos repetisse mil e uma vezes a mesma piada ou comentário engraçado sobre o livro de E. L. James… Ok, eu compreendo que não seja uma boa história, que tenha falhas e que seja mais apreciada do que aquilo que realmente merece mas daí ao que se observa neste filme vai uma grande distância. Sim, já chega de paródias destas, sem o mínimo de sentido, de dedicação e de originalidade que pouco ou nada contribuem para o cinema e que desprezam o trabalho de outros.

É esta falta de dedicação que se vai fazendo notar num pobre argumento, em muito semelhante ao do filme que lhe deu origem mas com mais piadas tolas e sem rumo pelo meio. Um enorme vazio é a oferta desta experiência que conquistou mais bocejos da minha parte do que ligeiros sorrisos. Sentado com uma postura mais ou menos correcta, procurei desde logo encontrar algo que me pudesse agradar mas ainda nem cinco minutos tinham passado e já estava no meio de uma comédia repleta de estereótipos que já tinha caído nos exageros de Marlon Wayans. Bastaram cinco minutos para começar a enorme odisseia das posições na cadeira, desde o direito ao parcialmente deitado, da troca de pernas cruzadas ao braço que serve de suporte à cabeça num acto de desespero sem esquecer os infalíveis e predominantes bocejos.

É um misto de personagens pouco coerentes, cujas origens e características representam parte dos típicos estereótipos raciais que são aceites de forma incompreensível por uma sociedade que se diz evoluída. As Cinquenta Sombras de Black representa o que de mais pobre existe na indústria: o desprezo, a influência do dinheiro nestas produções e a falta de vontade em criar histórias mais atractivas. Pergunto-me então qual a necessidade de uma história destas perante conteúdos tão diversificados e de melhor qualidade, até mesmo para aqueles que procuram um filme com o mero e único objectivo de se distraírem? Isto porque há comédias e depois isto.

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