Crítica | Brooklyn (2015)

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  • Realizado por: John Crowley
  • Com: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall Gleeson
  • 1h51min

Pouco ou nada importa o nosso fascínio e gosto pessoal quando nos encontramos perante uma obra bela e apaixonante que nos cativa e impressiona duma forma verdadeiramente especial. São filmes assim, raros, que nos deixam com um enorme sorriso quando são descobertos e apreciados. Grandes surpresas que, mesmo com poucos ou nenhuns prémios triunfam aos olhos daquele que é o grande pilar do cinema: o espetador. Pois bem, Brooklyn é um desses raros filmes que, com uma enorme simplicidade e humildade, leva as emoções bem ao alto numa história verdadeiramente apaixonante. Um conto intemporal que retrata o que há de mais natural e sincero nos momentos mais difíceis, focando-se num cenário mais negro como o da emigração. Surpreende e aconchegante, este é um romance com uma beleza e uma humildade muito características que o tornam num filme para relembrar e rever daqui a uns tempos.

Brooklyn retrata a história de uma jovem que opta por emigrar para contornar as duras dificuldades vividas na vila e para poder estabelecer uma vida mais desafogada e que lhe diga alguma coisa. Longe da irmã e da mãe, Eilis vê-se sozinha e perdida na cidade, sem se encontrar com os seus objetivos ou com motivos que a façam feliz. Mas é no meio de um turbulento início que encontra uma nova alegria, ao deparar-se de forma inesperada com um italiano que lhe rouba o coração. A tristeza e os conflitos emocionais de Eilis vão dando lugar, pouco-a-pouco, a sorrisos e a uma enorme vontade de viver a vida com toda a alegria e toda a emoção com que esta merece ser vivida. Um hino e uma celebração sobre a força, a coragem e a determinação em encontrar uma vida melhor mas que depressa atinge contornos complicados que levam Eilis a sentir-se presa entre dois mundos distantes: dum lado a família, os amigos e as memórias do passado e do outro uma nova realidade, mais alegre e determinada, acompanhada por um enorme sentimento de amizade e amor.

Brooklyn surpreende pela simplicidade e naturalidade com que as relações, as emoções e as vivências são retratadas pelo meio da luta de uma jovem por uma vida nova e por um futuro que sempre lhe pareceu cinzento. Desde as disputas familiares, aos confrontos emocionais da jovem Eilis, tudo no filme funciona de forma harmoniosa, permitindo ao espetador sentir uma certa ligação e empatia para com as personagens que vão surgindo aos poucos numa história em que se parte à descoberta do desconhecido. Seguimos Eilis nos momentos mais difíceis e também nos momentos mais alegres, criando assim laços com a própria personagem.

Foi quase que repentino o momento em que me senti ligado e envolvido pela história, fruto de uma interpretação ímpar por parte da jovem e encantadora Saoirse Ronan que interpreta em Brooklyn uma personagem com traços psicológicos complexos e com uma enorme força de vontade e de carácter que se vai revelando ao longo do filme. Esta é a história de uma jovem que parte para o desconhecido, longe de casa, e que se vê num labirinto de dificuldades que aparenta não ter saída. É a história de uma jovem inocente e carinhosa que se revela como uma lutadora e uma personagem apaixonante enquanto vive um grande amor pelas bonitas e românticas paisagens de Brooklyn.

Um drama que traz ao de cima conflitos, sentimentos e vitórias que fazem parte da vida de emigrantes ao mesmo tempo que ganha uma maior profundidade com o início de uma grande relação que divide o coração da jovem entre dois locais distintos e distantes. Perdida e sem rumo aparente, a jovem Eilis tenta encontrar o rumo da sua vida enquanto procura aquilo que a torna verdadeiramente feliz. Brooklyn é um belo filme, sincero, humano e apaixonante, carregado de emoções e de momentos felizes e de outros nem tanto e que vê o argumento beneficiado por interpretações cativantes por parte de um grande elenco que se apresenta com personagens próximas e que brilham pela sua naturalidade. Um filme que me levou a lágrima aos olhos pela proximidade da história em termos pessoais e afetivos e que me deixou maravilhado com a forma honesta, bonita e pura como tudo é contado. Pela proximidade, pelo afeto e pela honestidade e naturalidade, Brooklyn é uma importante lição de humildade e de realização nos dias de hoje ao retratar a definição de “casa” como o local onde nos sentimos verdadeiramente felizes e vivos, independentemente dos contratempos, sem nunca apresentar fragilidades ou incoerências. Em poucas palavras, Brooklyn é uma experiência bela e apaixonante com uma história contada duma forma encantadoramente genial.

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