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Crítica | Anomalisa (2015)

Anomalisa TTAnomalisa_oscar-web

  • Realizado por: Duke Johnson, Charlie Kaufman
  • Com: David Thewlis, Jennifer Jason Leigh, Tom Noonan
  • 1h30min

Dispostos perante Anomalisa, somos que confrontados com um retrato fiel da natureza humana, em que as emoções e as sensações são detentoras dos papéis principais. Um misto de simplicidade e humildade com fragilidade e inocência que nos leva a conhecer novos horizontes. Esta é uma viagem quase que espiritual cujo guia é um homem muito peculiar que procura algo que lhe devolva a euforia e a alegria de dias passados. Michael Stone (David Thewlis) é o protagonista da trama, um autor especializado em serviços de apoio ao cliente e que se vê impedido de estabelecer interações ou contacto com outras pessoas, tornando-se num homem que revela uma enorme falta de entusiasmo e interesse pela vida. Um drama irónico que coincide com uma viagem de negócios em que Michael será o orador principal de uma palestra sobre técnicas úteis no apoio ao cliente.

Confrontado com este enorme desânimo e pobre força de vontade, Michael decide seguir um rumo diferente na sua vida, procurando reacender a chama que se foi perdendo com os anos. Talvez a rotina, talvez o stress ou talvez a vontade de olhar para lá daquilo que os olhos vêm tenham levado Michael a sentir-se em baixo mas tudo muda quase que repentinamente, quando se depara com uma mulher absolutamente extraordinária a seus olhos, Lisa (Jennifer Jason Leigh), cujas imperfeições e qualidades se tornam numa espécie de (muito) agradável novidade. Lisa acaba por ser apresentada como a derradeira solução para os problemas da vida de Michael.

Anomalisa surpreende pela forma simples e humilde como retrata as peripécias, as reações e as emoções humanas, dando um maior ênfase à forma como sentimos, reagimos e vemos o mundo a nosso redor. É uma história contada de forma atípica que ganha vida e contornos interessantes graças aos traços psicológicos da personagem principal que se vê presa numa autêntica e derradeira armadilha mental. Preso contra a sua vontade, Michael procura incansavelmente por algo naquela viagem de negócios que mude o rumo rotineiro da sua vida e é no meio deste drama um tanto ou quanto agridoce que encontramos razões para nos sentirmos ligados a uma história que nos soa familiar, não por semelhanças com peripécias da nossa vida mas por retratar parte daquilo que é a natureza humana, explorada sem exageros, nem preconceitos.

Por trás de uma animação exemplar e de grande qualidade em que a transparência das emoções vai até ao mais pequeno detalhe, este é um daqueles filmes que esconde por trás de um cenário visualmente apelativo e de uma história dramática uma série de segredos obscuros no que diz respeito ao desenvolvimento da personagem principal. A complexidade das personagens aliadas a uma narrativa intrigante e que se resume a uma sequência de eventos aleatórios na vida de um homem difícil de compreender. Um filme curioso e cativante da autoria de Charlie Kaufman que contrasta com a vulgaridade de muitas das obras apresentadas ao longo do ano com uma experiência única e obrigatória que é como que uma enorme lição de humildade sobre ver além daquilo que os olhos vêm, aceitando as imperfeições e as qualidades como traços essenciais que nos tornam seres extraordinários.

stars_5

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