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Crítica | Joy (2015)

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  • Realizado por: David O. Russell
  • Com: Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper
  • 2h04min

De certa forma podemos afirmar que o novo filme de David O. Russel apresenta uma certa energia e convicção que aparentam não só agarrar o espetador como também motivá-lo com uma história quase real, aparte de personagens adicionadas e de pequenos detalhes, sobre perseverança e sobre levar para a frente os nossos grandes sonhos e ideias. Tudo isto fruto de um desempenho sólido e de grande impacto por parte da Jennifer Lawrence que à terceira tentativa se torna no grande destaque duma história de Russel. Pois bem, pelo terceiro ano consecutivo, a dupla de Guia para um Final Feliz reúne-se no grande ecrã e à primeira vista quase que parece uma repetição da típica receita do realizador que se tem destacado nos últimos anos em cerimónias de prémios.

Há que dar valor à forma como Joy retrata todo o processo de geração de ideias, dando forma a uma realidade dura e crua na vida daqueles que decidem seguir o seu próprio caminho e os seus desejos e objetivos. Uma vida completamente disfuncional é o ponto de partida para uma dura jornada de discussões familiares e de confrontos e desilusões que culmina numa ideia que passa despercebida à primeira vista. Esta é a história de uma jovem que, perante as dificuldades, decidiu erguer-se com uma ideia na qual acreditava com unhas e dentes, uma espécie de esfregona mágica que prometia resolver todos os problemas das donas de casa, e com isso lutou até ao sucesso, até se tornar na revelação do recente canal de vendas QVC, ao alterar o paradigma da publicidade levando pessoas comuns e os seus problemas às luzes da ribalta.

E é assim, num ambiente deveras conturbado e talvez demasiado disfuncional para parecer natural e realista que Jennifer Lawrence triunfa com um desempenho comovente e empolgante que capta toda e qualquer atenção com uma história que nos dias de hoje simboliza a luta de tantos outros empreendedores e de tantas outras mulheres que se viram prejudicadas na sua carreira. É no fim de contas um autêntico conto de fadas que retrata uma história de sucesso e de destaque mas com um desenvolvimento negro e inconstante que por vezes nos deixa empolgados mas que acaba por perder-se pelo meio com personagens secundárias e histórias paralelas que nada nos dizem e nada contribuem para a continuidade da história. Joy é quase que um exclusivo de Jennifer Lawrence que fica aquém do esperado, ao levar uma história de conquistas para um ambiente demasiado teatral e dramático, um tanto ou quanto exagerado.

Com um início conturbado, é apenas quando Jennifer Lawrence demonstra o seu potencial que nos apercebemos da grandiosidade dos feitos e da história de Joy Mangano que triunfou quando tudo parecia impossível. Um filme que retrata a época de ouro das televendas e que nos coloca frente a frente perante personagens (muito) peculiares que se vão sobressaindo aos poucos. Um pouco de humor e com um típico desenlace à ‘conto de fadas’ que acaba por ser a mais pura das verdades combinado com um dramatismo exagerado que por vezes leva a melhor ao filme. Fica um pouco aquém do esperado talvez pela falta de credibilidade demonstrada ao longo do filme e porque o ritmo nunca é suficientemente apelativo para nos deixar empolgados. Joy destaca-se sobretudo com uma Jennifer Lawrence lutadora e arrebatadora numa das grandes interpretações da sua carreira. Uma história com uma mensagem particularmente animadora que encoraja tudo e todos a seguirem em frente com as ideias quando acreditam nestas, pondo um ponto final na procrastinação e na derrota por antecipação. Uma quase-biografia de uma mulher que esteve à frente do seu tempo e que contra tudo e contra todos partiu à conquista de um sonho e de uma ideia.

stars_12

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4 Comments

  1. osfilmesdefredericodaniel says

    “Joy”: 4* – “Joy” conquistou-me acima de tudo pela sua simplicidade, pois a sua história é bastante simples. Cumprimentos, Frederico Daniel.

    • A mais valia de ‘Joy’, pelo menos a meu ver é a boa interpretação de Lawrence, à volta da qual se desenrola todo o filme. Mas fica um pouco a desejar, pelo menos face às expectativas. Muito obrigado pelo comentário!
      Abraço,
      Tiago

      • osfilmesdefredericodaniel says

        De nada, quando quiseres comenta lá no meu blog também. 🙂 Ultimamente nem comentários e quase nem visualizações, mas mesmo assim não vou deixar o blog. :p Sim, o desempenho dela foi bom mas foi simples. Penso que qualquer atriz ou algumas atrizes poderiam fazer o mesmo papel e bem, nos Golden Globes preferia que tivesse vencido a Melissa do que a Jennifer.

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