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Crítica | The Hunger Games: A Revolta – Parte II

  • Realizado por: Francis Lawrence
  • Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth
  • 2h17min

Ainda que a primeira parte me tenha convencido sobretudo pelas divergências com o livro e pelo carácter efusivo predominante em quase todo o filme, a ideia de dividir o último capítulo em duas partes acabou por ser um tiro ao lado e nem os esforços de Francis Lawrence em adaptar um livro envolto em intriga e que se vai perdendo aos poucos, foram suficientes para fechar com chave de ouro a história de Katniss Everdeen e da revolução contra a autoridade soberana do capitólio, empatada pelo meio com um triângulo amoroso desnecessário. Uma divisão em partes pouco convincente que se traduziu num desfecho que teria resultado melhor sem os entraves e os fillers pelo meio em ambos os filmes. Mas porque é moda encher chouriços por dinheiro e porque a curiosidade e o interesse são consideráveis, o derradeiro capítulo da saga Hunger Games, A Revolta – Parte II, é uma aposta segura que ata as pontas soltas dos perecedores.

Jennifer Lawrence dá vida a heroína mal-humorada Katniss Everdeen uma última vez, lado-a-lado com os dois grandes amores Peeta e Gale e indecisa sobre qual deles gosta mais, enquanto milhares de pessoas dependem da sua prestação para uma revolução iminente contra o Presidente Snow e o abominável Capitólio. Somos colocados num cenário de guerra com o verniz prestes a estalar e no meio de meia dúzia de mensagens de propaganda dos Rebeldes, somos confrontados com uma guerra de interesses entre Alma Coin e Snow enquanto gastam os últimos cartuchos para atrair mais peões para o seu lado do tabuleiro.

Os momentos mais pessoais e íntimos de Katniss contrastam com a dura realidade da guerra e da revolução em que milhares de pessoas colocam a sua vida em risco por aquilo em que acreditam. É este contraste que realça a estranha personalidade de Katniss que nunca se apresenta como uma heroína ou como uma guerreira destemida em busca de vingança mesmo após os trágicos acontecimentos que fomos acompanhando nos primeiros capítulos. Diga-se de passagem que não sou um fã assumido do último capítulo da saga sobretudo pelo que as surpresas d’ A Revolta – Parte II se devem sobretudo às diferenças e ao maior destaque que Francis Lawrence deu ao cenário revolucionário que sempre foi o grande foco de toda a história e o centro de todas as atenções exceto daquelas que viam com agrado um triângulo amoroso entre um pasteleiro e um caçador. Katniss reafirma-se como uma personagem irregular e inconstante que no meio de atitudes incompreensíveis acaba por escolher o caminho certo e em que acredita mas é Snow, o tirano da história interpretado por Donald Sutherland, que mais se destaca ao estar perante uma iminente queda do poder.

Ao beneficiar dos restantes filmes da saga há que dizer que se esperava mais deste desfecho, sobretudo com um grande segundo capítulo responsável por deixar fãs com a expectativa em alta para o final. O ritmo inconstante do filme e o facto de nenhuma das partes ter beneficiado individualmente com a divisão deixou marcas significativas mas pelo meio do caos, a revolução e a forma como Francis Lawrence dá vida às últimas cartadas da rebelião são um motivo mais que suficiente para um desenlace seguro.

Ainda que aquém das expectativas, o filme tem o que é preciso para segurar e agradar o seu público-alvo, mesmo que por momentos perca o impacto e a tensão sobretudo devido a entraves e às encruzilhadas pessoais de Kantniss que nunca caíram nos meus encantos. Uma nota positiva para a forma como Francis Lawrence optou por realizar o desfecho da saga, sem exageros com um final em grande. Com as interpretações de um elenco a que já estávamos habituados e a tensão de uma revolta que nasce no meio de um regime opressivo, este é um retrato dos dois lados da guerra que perdeu parte do impacto com uma divisão desnecessária em duas partes mas que encerra uma saga distópica que marcou o género young-adult no cinema moderno.

stars_12

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