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Crítica | Knock Kncok – Perigosas Tentações (2015)

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  • Realizado por: Eli Roth
  • Com: Keanu Reeves, Ana de Armas, Lorenza Izzo
  • 99 Minutos

No mesmo ano, Eli Roth apresenta-nos dois filmes com estilos completamente diferentes mas ambos para um público já habituado à sua assinatura violenta. O primeiro é este, Knock Knock – Perigosas Tentações, um remake do filme Death Games que se destaca no género exploitation como um thriller repleto de tensão sexual. O segundo é The Green Inferno, um remake da obra controversa de Ruggero Deodato, Cannibal Holocaust, considerado por muitos como um dos filmes mais chocantes da história do cinema. Ora enquanto índios sedentos de sangue aguardam por uma data de estreia em terras lusas, passamos os olhos pelo filme mais ligeiro que dá um tom satírico e cómico a uma história que combina tensão sexual e violência numa forma pouco funcional. Com Keanu Reeves a liderar um elenco, como um bom homem de família que cai na esparrela de duas jovens atraentes que lhe batem à porta numa noite chuvosa (Lorenza Izzo e Ana de Armas) e lhe arruínam a vida por completo, Knock Knock – Perigosas Tentações é um adição peculiar à filmografia do realizador que sempre teve uma certa tendência para o estilo exploitation.

A ideia base da história daria para concretizar um thriller daqueles que daqui a uns dez anos ainda são lembrados (estilo Instinto Fatal) mas infelizmente Eli Roth segue uma abordagem mais leve e satírica que vai perdendo o interesse e o impacto à medida que o tempo passa. Reeves interpreta Evan Webber, o bom samaritano e pai de dois miúdos que se vê sozinho em casa no dia do pai para concluir um trabalho importante. No meio de uma chuvada tremenda, eis que surgem as duas jovens que vão tornar a vida de Evan Webber num autêntico pesadelo. As consequências de um inocente pedido de ajuda são aqui levadas ao exagero de tal forma que jamais abrirei a porta a estranhos (nem mesmo ao correio). Evan é seduzido pelas duas jovens e acaba por entrar no seu jogo perigoso de forma inocente, alinhando numa sessão caliente, cuja conclusão trágica vai para lá do imaginário do espetador. Na manhã seguinte, o que parecia ter sido uma noite “atribulada” depressa se torna num episódio perigoso do qual Evan não vê saída possível.

Basicamente retiram-se duas breves lições deste filme: não abrir a porta a estranhos e não ignorar alertas da Uber depois de pedir um carro para o meio de nenhures. É deveras engraçado ver como Keanu Reeves passa de um hitman genial em John Wick para um homem que mal consegue lidar com os interesses e desejos de duas jovens que desde o primeiro momento que entram naquela casa “cheiram a esturro”. A forma exagerada como Eli Roth dá vida à história é talvez o ponto mais irritante e negativo do filme… As personagens desenvolvem-se de forma exagerada, sem qualquer tipo de background credível e as suas ações descabidas levam o espetador a tratar o filme quase como uma obra satírica, descabida de conteúdo. Muitos dos pormenores e desenvolvimentos de Knock Knock são simplesmente descabidos, de tal forma que a tensão dos primeiros minutos se vai perdendo por falta de compreensão. O que leva duas jovens a orquestrar um plano maquiavélico da dimensão a que assistimos é não só incompreensível mas também exagerado e nem Keanu Reeves se apresenta com o carisma que o caracteriza ao interpretar uma personagem que pouco ou nada tem a ver com os habituais papéis desempenhados pelo ator.

A razão pela qual Knock Knock ainda tem algum impacto é sobretudo a tensão sexual na primeira parte do filme que leva Evan a alinhar no perigoso jogo de sedução das raparigas. O primeiro acto do filme é aquele que agarra a atenção do espetador com estranhas peripécias a terem lugar à medida que a noite vai passando. Infelizmente a história cai numa repetição de ações exageradas e descabidas com pouco efeito no espetador, que retiram toda a credibilidade a uma ideia com um grande potencial. Ainda assim, é de notar que a aventura sexual de Keanu Reeves alargou os horizontes de Eli Roth, levando-o para um género mais smooth e viewer-friendly, deveras diferente do sadismo e do género exploitation onde se insere a maioria da sua filmografia. Knock Knock-Perigosas Tentações deve ser visto não como um thriller/horror mas sim como um filme satírico, sádico e de certa forma intenso que revela as consequências violentas, inesperadas e inacreditáveis da concretização da fantasia de um homem.

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1 Comment

  1. Knock Knock – Tentações Perigosas: 2*

    “Knock Knock – Tentações Perigosas” é apenas um filme razoável e desiludiu-me um bocado, “Knock Knock” poderia ter sido muito melhor e isso teria sido bom.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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