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Crítica | Lendas do Crime (2015)

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  • Realizado por: Brian Helgeland
  • Com: Tom Hardy, Emily Browning, Taron Egerton
  • 131 Minutos

Tom Hardy está imparável e seria bom que a minha opinião sobre Lendas do Crime ficasse por aqui porque o actor continua a dar provas de um talento inquestionável… Ora quando em vez de um temos dois Tom Hardys no grande ecrã escusado será dizer que as expectativas são quase que imediatamente altas, tendo também em conta a forma como o filme foi promovido. Talvez o excesso de confiança me tenha levado a achar que Lendas do Crime fosse um filme diferente, louco como as suas próprias personagens principais ou então foi o meu grande apreço por filmes de gangsters que levou a melhor e acabou por criar um entusiasmo considerável relativamente a este duo de Tom Hardys que acaba por ser mesmo o que de bom o filme oferece.

Em Lendas do Crime somos apresentados à história da ascensão do império de crime organizado dos irmãos Kray durante os anos 60, contada por Frances Shea, a mulher de Reggie Kray, interpretada por Emily Browning. A família Kray é no mínimo invulgar e talvez essa característica tenha sido a razão principal que os levou a tonarem-se numa enorme potência no mundo do crime. Concentremo-nos nos dois irmãos gémeos, Reggie e Ronnie Kray, ambos interpretados por Tom Hardy e cujas diferenças se devem apenas a fatores comportamentais. Enquanto Reggie é calculista e planeia com enorme cuidado a ascensão em Londres vivendo por dentro e por fora toda a alucinação e toda a grandeza que caracteriza a vida do crime em Londres nos anos 60, Ronnie é mais complicado de lidar, com um comportamento deveras irregular e uma vontade enorme de triunfar como gangster que o leva a não medir convenientemente as suas ações. Ora é mais ou menos neste ponto que a história tem início, tirando a parte em que Ronnie se encontra num hospital psiquiátrico, prestes a sair para a rua fruto da notória influência dos Kray na cidade. E é a partir daqui que se desenrola uma história de ascensão do poder dos Kray com as suas conquistas e as suas divergências em paralelo com a história de Reggie e Frances que dão ao primeiro uma visão diferente daquilo que a sua vida poderia ter sido se tivesse optado por um caminho que não o do crime.

Tom Hardy, em duplicado, está simplesmente genial com um desempenho que comprova mais uma vez o seu talento. A evolução de ambas as personagens que interpreta é tal que ao fim de uns vinte minutos os dois irmãos parecem ser interpretados por actores completamente diferentes. Por um lado temos um Tom Hardy seguro, confiante e que vive com enorme agrado o facto de dominar a cidade por completo e no outro temos um Tom Hardy completamente diferente, louco se preferirem que prefere viver com a máxima intensidade a vida de gangster, sem dar a mínima importância às conquistas. Escusado será dizer que este desempenho é provavelmente um dos mais marcantes da carreira do actor que já deu (muito) que falar este ano em Mad Max: Estrada da Fúria. A forma como Tom Hardy consegue cativar-nos com duas personagens irreverentes e que de semelhante apenas têm o aspecto físico é definitivamente o prato principal do filme que podia ter sido muito mais do que aquilo que acabou por ser. Quase como completos opostos, Reggie e Ronnie constroem o seu império aos poucos mesmo com as típicas desavenças familiares e a sua caminhada ao topo é apresentada em simultâneo com o background das personagens principais. Até aqui não há nada mas mesmo nada a mencionar sobre o filme mas lá mais perto do final, a história torna-se um tanto ou quanto repetitiva, o que faz sentido face à história mas também leva a que esta perca todo o seu impacto.

A forma como Frances guia o espetador ao longo da história, revelando as suas vivências, íntimas ou não, com Reggie, a história no seu todo acaba por ficar ofuscada com o grande desenvolvimento das personagens principais. A verdade é que Lendas do Crime é uma estranha combinação entre um romance quase que proibido e uma história de gangsters que é muito bem introduzida mas que vai perdendo o vapor e o potencial com o decorrer do tempo. Há que destacar também a banda-sonora que nos transporta para a exuberância dos anos 60, em grande estilo, e os efeitos artísticos que dão um certo brilho e um certo charme à trama. Ainda que o enredo deixe um pouco a desejar, a verdade é que o desempenho genial de Tom Hardy toma conta de Lendas do Crime e tornar o filme numa boa experiência que difere um pouco do ritmo típico do género.

stars_12

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