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Crítica | Crimson Peak – A Colina Vermelha (2015)

crimson peak title
crimson peak poster

  • Realizado por: Guillermo del Toro
  • Com: Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston
  • 119 Minutos

A excentricidade de Guillermo del Toro é posta mais uma vez à prova num filme que combina Horror com Fantasia e que se destaca pela sua exuberância visual evidente tanto nos cenários como no guarda-roupa. Ao juntar Mia Wasikowska, Jessica Chastain e Tom Hiddleston no grande ecrã, del Toro cativa o público e suscita alguma curiosidade para um filme que brilha sobretudo em aspetos visuais. Longe de ser memorável como o Labirinto do Fauno e, com uma história um tanto ou quanto macabra, a verdade é que Crimson Peak – A Colina Vermelha representa um lado mais sombrio do visionário realizador mas todo o mistério acaba por se perder numa história recheada de fantasmas e de peripécias apelativas, muito ao estilo de del Toro.

Crimson Peak – A Colina Vermelha começa como uma tragédia familiar em que uma rapariga após a morte da mãe vê-se confrontada com aparições fantasmagóricas que a avisam de um pressuposto perigo futuro existente num lugar conhecido como Crimson Peak. Sem nenhuma pista que a pudesse elucidar sobre o lugar, a rapariga, Edith Cushing (Mia Wasikowska), acaba por deixar de parte o episódio caricato da sua infância até que anos mais tarde a mesma aparição e o mesmo aviso surgem vindos do nada, antecipando a chegada de um homem misterioso, Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), com quem se acaba por casar. Sem mais ninguém a quem recorrer após a trágica morte do pai, Edith decide abdicar da sua vida na América para ir viver com Thomas na sua casa para lá do Atlântico. O que parecia ser uma simples mudança de vida e de ares depressa se torna numa aventura perigosa por entre as paredes e os corredores de uma misteriosa casa que aparenta possuir vida própria. Ao confrontar os fantasmas do passado e esta nova realidade, Edith depressa se apercebe que há alguma coisa de errado com a casa dos Sharpes.

Há que destacar, sem qualquer sombra de dúvidas, os desempenhos de Tom Hiddleston e de Jessica Chastain que dão vida a duas personagens misteriosas, cujo desenvolvimento ocorre progressivamente com o decorrer do filme, acabando por elas próprias estarem envoltas na atmosfera obscura do filme. Os irmãos Sharpe acabam por ser a razão pela qual Crimson Peak – A Colina Vermelha não cai na vulgaridade e permitem-nos criar alguma empatia com a personagem principal, cuja ingenuidade a leva a tomar decisões um tanto ou quanto estranhas. Para lá dos aspectos macabros da história, há que dizer que Guillermo del Toro fez um bom build-up da história ao atribuir algum significado às aparições fantasmagóricas que surgem ao longo do filme. É o mistério da narrativa que faz com que a história seja apelativa mas, infelizmente, perto do fim a história perde-se um pouco no exagero e no absurdo, acabando de uma forma não só previsível mas também destoante do grande desenvolvimento que lhe antecede. Ainda que os fantasmas sejam particularmente estranhos e ainda que a história esteja envolta em pequenos clichés, a verdade é que a premissa é a grande responsável por suscitar a curiosidade e o interesse pela trama. Ainda que casas misteriosas seja um tema já explorado no género, del Toro consegue dar vida às paredes de forma cativante, transportando-nos para um lugar visualmente apelativo que depressa se transforma numa combinação entre um enorme pesadelo envolto em mistério.

A verdade é que esperava mais de Crimson Peak, talvez pelo potencial da premissa e pela envolvente misteriosa que o filme apresenta mas o filme não conseguiu corresponder às minhas expectativas, tendo em conta que a história se perde com o decorrer deste e que a personagem interpretada por Mia Wasikowska perde o protagonismo perante as grandes interpretações de Hiddleston e Chastain. Se ignorarmos as pequenas falhas na história e as desfasagens nas personagens, Crimson Peak – A Colina Vermelha consegue surpreender a nível visual com cenários e guarda-roupa de grande qualidade e toda uma envolvente artística característica do estilo de Guillermo del Toro. A envolvente misteriosa combina de forma agradável com a história fantástica e é ainda beneficiada pela grande qualidade dos aspectos visuais do filme. A magnífica casa dos Sharpes, envolvida por um tapete de neve que contrasta com os terrenos adjacentes vermelhos e composta por uma série de quartos e divisões majestosas é só um dos pontos de destaque do filme, tornando-se palco de uma aventura fantástica não aconselhada aos mais sensíveis. Se não fosse pela conclusão de certa forma desajeitada, talvez reagisse de forma diferente em relação ao filme. Crimson Peak – A Colina Vermelha é interessante, misterioso e visualmente apelativo mas perde potencial ao cair no exagero, no absurdo e na previsibilidade com o aproximar da conclusão.

stars_12

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5 Comments

  1. Eu quero tanto ir ver este filme! tenho expectativas (talvez demasiado) altas, espero não me desiludir! Tudo no filme me atrai, mas depois de ler a tua crítica fiquei um triste 😦
    Vamos ver como corre quando for ver xD
    Beijinhos 🙂

    • Visualmente o filme é mesmo bonito, a casa, o guarda-roupa e toda a envolvente romântica mas a história depois ganha contornos estranhos e abruptos… Faltam detalhes da história dos Sharpes e o filme passa subitamente de um ritmo bem construído para um final que soube a (muito) pouco. Ainda assim penso valer a pena dar uma vista de olhos. Beijinhos 🙂

  2. Tenho de concordar com o Tiago, o filme esteticamente é belíssimo, como Del Toro sempre faz questão de ser, muito romântico, quase vampiresco, o que até é irónico tendo em conta o personagem do filme do Tom no último filme do Jim Jarmusch…Contudo a narrativa é muito desequilibrada, cheia de plot holes, algumas um pouco ridículas como quando o personagem do Tom diz à personagem da Mia que o livro parece bom e a história é sobre x, mesmo tendo pegado há menos de um segundo no livro sem ter tempo sequer do folhear convenientemente. E o desfecho é totalmente previsível…Vale pelos visuais, mas mesmo muito pouco pela história, a ver só mesmo em casa.

    Bons filmes.
    http://www.cinemaschallenge.com

  3. Pingback: Bamboo Awards 2015 | Os Melhores do Ano | Panda's Choice

  4. Crimson Peak: A Colina Vermelha: 5*

    “Crimson Peak: A Colina Vermelha” é um dos melhores filmes de suspense estreados em 2015 e é um dos melhores que já vi dentro do género, “Crimson Peak” tem ainda várias metáforas presentes nele.

    Cumprimentos, Frederico Daniel

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