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Crítica | Black Mass – Jogo Sujo (2015)

  • Realizado por: Scott Cooper
  • Com: Johnny Depp, Benedict Cumberbatch, Dakota Johnson
  • 122 Minutos

Aquele que é talvez um dos actores da actualidade que melhor se sobressai ao interpretar personagens muito peculiares com uma caracterização e uma personalidade marcantes vê neste filme uma hipótese de se redimir de umas últimas adições menos boas na sua filmografia… Johnny Depp interpreta em Black Mass – Jogo Sujo talvez uma das suas melhores personagens nos últimos anos, deixando de parte o estilo fantástico dos filmes de Burton e não só para dar lugar a uma personagem intrigante à volta da qual se desenvolve uma história que nos leva a conhecer a influência da Mafia e dos pequenos gangues em comunidades. Uma história baseada em factos reais que nos transporta para um mundo de corrupção e poder onde o dinheiro e a família se apresentam como os melhores aliados de um homem.

Black Mass – Jogo Sujo relata-nos a história de Whitey Bulger (Johnny Depp), irmão do senador de estado Billy Bulger (Benedict Cumberbatch) e conhecido como o criminoso mais perigoso da história em Boston. Acompanhamos então esta irreverente personagem na sua escalada ao poder, enquanto vemos a sua ascensão e a forma inteligente como contornou tudo e todos para construir um vasto império visto com agrado pelas pessoas da comunidade em que coabitavam. A forma como Whitey tira partido da influência do irmão e a forma como os dois manipulam negócios com um abrir e fechar de olhos leva-nos a conhecer a concorrência. Como cabecilha do maior gangue do Sul de Boston, Whitey vê-se ameaçado pela Máfia Italiana que procura invadir o seu território. Johnny Depp assume assim um papel mais frio e denso, distante das personagens fantásticas e mais unidimensionais, tornando-se quase que contagiante ver como planeia cuidadosamente cada passo e como dirige uma enorme operação que envolve extorsões, droga e um vasto número de crimes, mantendo-se bem visto e por vezes admirado por aqueles que o conhecem. Ao contrário de Whitey que gosta de dar nas vistas temos Billy, o seu irmão, interpretado pelo homem que ficou reconhecido pelo seu desempenho na série da BBC Sherlock e que se apresenta como uma pessoa mais cuidadosa, tranquila e meticulosa sempre fiel à sua família.

Com a eminente ameaça da Máfia Italiana, Whitey decide aproveitar-se da sua amizade com John Connolly, interpretado por Joel Edgerton, um conhecido de longa data que veio a tornar-se numa das grandes figuras do FBI em Boston. De forma a poder ver-se livre das ameaças da Máfia, Bulger torna-se num informador do FBI, fornecendo informações importantes e essenciais para levar a cabo a acusação dos seus inimigos. No entanto, a forma como o acordo se desenvolve leva a que Whitey Bulger se transforme num autêntico Don responsável por uma das maiores espirais de crimes que teve lugar em Boston.

Ainda que a história retratada em Black Mass – Jogo Sujo revele uma natureza fria e cruel que se aproxima em larga escala da realidade no que diz respeito ao mundo dos negócios, do crime e das influências, a quantidade de pormenores é tal que nos perdemos pelo meio, acabando por haverem alguns detalhes e peripécias interessantes mas pouco trabalhadas. Como fã de histórias de gangsters, as expectativas para este filme eram relativamente altas, tanto pelo enredo como pelo grande elenco repleto de nomes conhecidos da indústria. A verdade é que o filme não desaponta mas está longe de ser uma história de gangsters ao nível dos clássicos que marcaram a história do cinema, o que é uma pena face ao enorme potencial do enredo que retrata uma história verídica que expõe a forma rápida como um império pode ascender. Mesmo que a interpretação de Johnny Depp seja sem sombra de dúvidas o ponto alto do filme, tanto Cumberbatch como Edgerton não se ficam nada atrás, tornando-se pilares para a história de Whitey Bulger. No entanto, apesar destas grandes interpretações, as restantes personagens acabam por ficar esquecidas ou pouco desenvolvidas, não havendo oportunidade para explorar todas as pequenas histórias introduzidas ao longo do filme. Black Mass – Jogo Sujo é, como o próprio nome indica, um jogo sem escrúpulos cuja meta é o poder, apresentando ao mesmo tempo um retrato realista e quase que alarmante da forma como o dinheiro e as influências corrompem até as estruturas mais importantes da nossa sociedade… Um filme que não desilude e que se destaca pela grande interpretação de Johnny Depp naquele que é, sem sombra de dúvidas, um dos papéis mais marcantes e interessantes da sua carreira.

stars_14

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