Crítica | Maze Runner – Provas de Fogo (2015)

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  • Realizado por: Wes Ball
  • Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster
  • 131 Minutos
  • English: british-flag

Depois de um primeiro capítulo que despertou a minha curiosidade para as restantes adaptações dos livros da trilogia de James Dashner, The Maze Runner, posso dizer que tinha algumas expectativas relativamente a este novo filme e ao contributo que o mesmo podia dar aos filmes YA distópicos. Verdade seja dita, mesmo que não fosse um filme brilhante, o primeiro capítulo contou-nos uma história claustrofóbica e repleta de mistério e mesmo depois de se superarem todos os obstáculos, ficaram imensas perguntas por responder. Maze Runner: Provas de Fogo seria então uma óptima forma de fazer build-up para o último capítulo e de, ao mesmo tempo, responder a algumas das questões que ficaram no ar depois de Thomas e os restantes sobreviventes terem sido evacuados do labirinto. Contudo, apesar de algumas das dúvidas terem ficado esclarecidas, outras surgiram e o ritmo demasiado acelerado do filme tornou-se num obstáculo ao sucesso deste. Para uma adaptação que não segue de forma fiel o material base, Provas de Fogo desenvolve-se de uma forma demasiado “às três pancadas” que parece deixar muito pouco para descobrir no último filme.

Depois de serem “salvos” do labirinto, tanto Thomas como os seus amigos vêm-se no meio de uma enorme encruzilhada que os obriga a escapar mais uma vez do local para onde foram trazidos e é aqui que o filme ganha um suspense e uma intensidade vinda do nada. Conhecemos então as pessoas infectadas pelo vírus e uma comunidade de pessoas que se mantém distante de Ava Paige, lideradas por um homem que tal como Thomas pretende encontrar o exército que procura derrotar de uma vez por todas a WCKD, conhecido como “The Right Arm”. O filme desenvolve-se então à volta de uma enorme caminhada pelo meio de um deserto com pessoas infectadas a atacarem o grupo de Thomas e por cenários e caminhos um pouco obscuros, que dão ao filme um tom completamente diferente daquele que conhecemos no primeiro capítulo. A questão aqui é que se perdeu grande parte da lógica e do sentido da história com a originalidade da mesma… Enquanto no livro o título Provas de Fogo faz todo o sentido, dado que os jovens vagueiam pela Terra Queimada, superando obstáculos ainda mais difíceis que o labirinto, na esperança de encontrarem uma cura para o vírus, no filme eles escapam da WCKD sabendo que são imunes ao vírus e com o objectivo de se aliarem ao exército adversário.

Em comparação com o primeiro capítulo, em Provas de Fogo somos confrontados com uma história recheada de acção e de momentos intensos. A envolvente obscura de alguns dos cenários torna-o quase que num filme de suspense por breves momentos, enquanto as personagens escapam dos infectados e a nível de aspetos técnicos, sobretudo visuais, o filme supera o capítulo anterior, oferecendo um conjunto de peripécias empolgantes em mais de duas horas de puro entretenimento. O problema do filme reside sobretudo no build-up da história… Tudo é contado de forma demasiado apressada, o que levantou algumas questões pelo caminho e grande parte da história foi ocupada com sequências de acção. Um pouco à semelhança do primeiro capítulo da trilogia The Hobbit, o espetador é como que convidado a assistir a uma enorme jornada por um enorme deserto e a conhecer um número considerável de personagens, das quais só cinco ou seis importam verdadeiramente para a história. Talvez o exagero ou o desejo de construir um épico que se inserisse no género distópico tenha tornado Provas de Fogo num espetáculo que apenas oferece entretenimento, alguma tensão e poucas razões que mantenham o interesse para o último filme. Ainda que tenha elevado a fasquia em termos visuais e de acção, a nível de narrativa, Provas de Fogo oferece um enredo menos relevante, em comparação com o primeiro filme, perdendo-se um pouco da envolvente misteriosa deste.

Esperava-se então mais deste segundo capítulo, sobretudo a nível de história, pelo que a nível de elenco e de interpretações há pouco a referir… Ainda que as sequências de acção sejam espetaculares e que a nível de entretenimento o filme seja um sucesso, fica um pouco aquém doutros sucessos do género e coloca algumas reticências em relação ao último capítulo, dado que com este build-up fiquei com a impressão de que existem poucos motivos para ficar curioso. Enquanto o primeiro filme foi uma agradável surpresa que acabou por contribuir de alguma forma para o enorme sucesso da fórmula Dystopian YA, este segundo capítulo da adaptação acabou por não tirar partido do potencial da série de livros de James Dashner, tornando uma história passada num universo distópico num espetáculo de puro entretenimento.

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