Crítica / MOTELx | Green Room (2015)

  • De: Jeremy Saulnier
  • Com: Imogen Poots, Patrick Stewart, Alia Shawkat
  • 94 Minutos

De Jeremy Saulnier chega-nos esta história cruel, violenta e definitivamente brutal que deixou a crítica pelo mundo fora a louvar o trabalho do realizador e a defini-lo como um filme de culto. Pode-se adiantar que por este motivo, Green Room era sem sombra de dúvidas um dos filmes mais aguardados do festival e, provavelmente, é também o filme mais marcante de toda a selecção. Uma história sobre política, violência e música da pesada que ganha contornos perturbadores enquanto se desenrola… Este é um daqueles filmes que espero ver ainda ganhar adeptos no circuito comercial de cinema em Portugal pois histórias como esta há poucas. A forma fria e cruel como as personagens interagem, quer por questões políticas ou simplesmente pela natureza humana é, sem sombra de dúvidas, capaz de ferir a suscetibilidade dos mais sensíveis.

Em Green Room seguimos uma banda de punk rock, os Ain’t Rights, que se prepara para tocar num clube afastado da sua tournée perante uma plateia de skinheads violentos. Após o concerto, deparam-se com o cenário de um crime e vêm-se encurralados nos camarins sem escapatória possível, à mercê dos skinheads. O que prometia ser apenas mais uma atuação na carreira dos jovens acaba por se tornar num pesadelo violento e cruel, no qual a sobrevivência é incerta. A agonia e o medo dos jovens encurralados depressa atinge proporções inimagináveis quando o dono do espaço, interpretado por Patrick Stewart, decide agir de forma a eliminar todas e quaisquer provas da ocorrência do crime, liderando um esquadrão de skinheads implacável que se identifica com laços vermelhos nos sapatos. Stewart é, sem sombra de dúvida, o grande destaque deste filme, com um desempenho cruel e soberbo que me deixou quase sem palavras.

Encurralados e sem forma de contactar com o exterior, os jovens vêm-se no meio de uma conspiração e de uma armadilha da qual têm de escapar antes que sejam eliminados. É implacável a forma como Saulnier retrata os acontecimentos e visceral a forma como os jovens são ameaçados e atacados. A violência aqui é de uma intensidade tremenda que torna o gore de muitos filmes do género quase que “infantil”, fruto das interpretações dos jovens que se demonstram os seus medos duma forma eficaz. Green Room é um filme duro e difícil de se ver tranquilamente, estando repleto de momentos perturbantes que causam algum desconforto. Uma história pesada que se desenrola como um autêntico pesadelo e que é ao mesmo tempo uma experiência intrigante.

Com grandes interpretações, das quais se destaca a crueldade e antipatia de Patrick Stewart, Jeremy Saulnier constrói um filme memorável, combinando um drama intenso com o pânico e a agonia que os jovens sentiam. Aqui o medo tem como núcleo a natureza humana e por este motivo confere um carácter natural ao filme que me deixou completamente perplexo. Não é apenas uma questão de gostar ou não gostar do filme… Há que aclamar a proeza de Saulnier ao provocar o espetador duma forma que é rara nos dias de hoje e a verdade é que Green Room me deixou perturbado, inseguro e por vezes desconfortável… Uma experiência aterrorizante que deixa uma enorme marca no género e que foi sem sombra de dúvidas a grande surpresa do festival.

stars_16



4 thoughts on “Crítica / MOTELx | Green Room (2015)”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.