Crítica / MOTELx | Ghost Theater (2015)

  • Realizado por: Hideo Nakata
  • Com: Rika Adachi, Keita Machida, Haruka Shimazaki
  • 99 Minutos

Se escrevesse uma lista das 10 coisas que mais odeio, bonecas de porcelana apareceriam nos lugares de topo com toda a certeza… Não sei se é pelo seu aspeto quase-natural e realista mas a verdade é que desde pequenito não gramo bonecas. Ora quando descubro que Hideo Nakata, o realizador de Ringu e considerado um dos senhores do Terror da atualidade, tinha um filme no MOTELx, decidi arriscar e ir vê-lo. A única coisa que sabia do filme era o facto de envolver uma atriz com um papel secundário numa peça de teatro onde ensaio após ensaio, elementos da produção apareciam mortos. Eis que surge a terrível surpresa do filme: o vilão é uma boneca! Uma boneca que se mexe de uma forma parecida ao manequim de um vídeo do youtube “Going to the Store”. Vá deixando-me de piadinhas, a verdade é que a nível de história e de concretização da mesma, Ghost Theater fica muito aquém do desejado. Para já entra em caminhos rebuscados ou pelo menos uma tentativa de criar uma história que se distancie dos clichés do horror moderno. A premissa tem a sua graça… A boneca que mata pessoas por razões que só descobrimos lá perto do filme… E as interpretações do elenco são minimamente convincentes. Mas o problema aqui é que o próprio filme não consegue ser convincente ou pelo menos fazer-nos acreditar no perigo a que as personagens estão sujeitas.

Para já, as personagens que olham incrédulas e assustadas para a boneca em movimento são todas ignoradas por um encenador daqueles que um ator deve evitar. Ninguém ali acredita que há uma boneca assassina… Nem mesmo quando toda a gente que acaba morta tinha referido factos estranhos sobre a boneca. Enfim, é uma espécie de Pedro e o Lobo mas no qual falta tensão para criar algum desconforto no espetador. A história é contada sem aquele típico encanto japonês e, para além de não ser convincente, devo dizer que não senti qualquer tipo de afeição/empatia com as personagens. Esta nova história de Hideo Nakata é um vazio de substância… Porque é possível envolver drama e criar uma boa tensão numa história que envolva uma espécie de serial-killer.

Sempre intermitente entre um filme de monstros, assombrações ou de crimes, Ghost Theater deixa um pouco a desejar… Falta-lhe intensidade, tensão e alguma coisa para torcer por enquanto vemos personagens perseguidas e atormentadas por um inimigo bizarro. Os eventos sucedem-se mas o filme nunca revela um pingo de emoção nem procura ‘atormentar’ o espetador. É sobretudo uma pobre concretização de uma ideia bizarra que cria as barreiras e os obstáculos do filme. No meio de uma grande seleção de filmes, Ghost Theater é apenas mais um entre tantos outros filmes de terror que se ficam pela mediocridade. Porque no fim de contas, para um homem que criou uma das histórias mais assustadoras e memoráveis do horror moderno, esperava-se muito mais…

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