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Crítica / MOTELx | ARCANA (2015)

Aracana Poster (2015)

  • De: Jerónimo Rocha
  • Com: Íris Cayatte
  • 11 Minutos

O mundo e a realidade apresentados em ARCANA remontam ao passado, quando os mitos e as bruxas tinham um impacto muito maior do que o que têm actualmente. Tal como a curta DÉDALO, também ARCANA nasceu de um spot promocional, baseando-se em contos e dizeres de bruxaria popular portuguesa e na obra de Alexandre Herculano, A Dama do Pé de Cabra. Neste filme, a bruxa encontra-se acorrentada a uma coluna de uma masmorra escura e uma linha de sal está desenhada no chão à sua volta como forma de proteção. Enquanto a Dama, interpretada por Íris Cayatte, se alimenta de seres vivos que por ali vagueiam, esta planeia uma fuga daquele lugar para espalhar o terror pela Península.

ARCANA marca sobretudo pelos detalhes e pelo ambiente obscuro. A masmorra envolve a Dama de tal forma que acaba por lhe atribuir um carácter ainda mais assustador. Funciona como um cenário aterrador e visceral a partir do qual se desenvolve uma das curtas mais marcantes do festival. ARCANA desenvolve-se à volta de contos e mitos e por esse mesmo motivo ganha um carácter histórico que contribuí positivamente para a narrativa. As paredes escuras e sombrias combinadas com o chão e as colunas marcadas com mãos retratam o sofrimento da personagem e a forma como esta se encontra na masmorra é simplesmente abominável. Contribuí também para esta sensação de desconforto, a forma como a Dama se comporta na masmorra.

Em ARCANA seguimos talvez uma das personagens mais marcantes do universo das curtas fantásticas portuguesas… Uma personagem que não queremos acompanhar mas que nos capta a atenção por se comportar de forma nómada e perturbadora. De destacar aqui o grande desempenho de Íris Cayatte que se dedicou a uma personagem difícil que requeria um tremendo trabalho psicológico e uma caracterização aterrorizante. Completamente transfigurada, Íris interpreta uma Dama que nos deixa completamente fora de nós logo após o primeiro minuto de curta. A forma como esta se alimenta de animais que por ali vagueiam e os momentos que se seguem deixaram-me quase que petrificado a olhar para o ecrã e devo salientar que tanto a nível de maquilhagem e de caracterização como de efeitos, ARCANA surpreende e deixou-me boquiaberto.

Este é um filme que se apresenta sobretudo como uma experiência única que deve ser vista às escuras e contemplada na totalidade. A forma como os efeitos sonoros e visuais se conjugam e o trabalho de produção extraordinário fizeram desta uma curta memorável que comprova a originalidade do cinema português. Sem diálogos, o filme e a sua história desenvolvem-se fruto de imagens e de sequências viscerais e agonizantes… Elementos fulcrais como a caracterização brilhante de Íris e a existência de curiosos detalhes espalhados pelo cenário levam-me a felicitar a produção do filme pelo excelente trabalho na concepção de todo o filme. ARCANA é uma experiência surreal e perturbadora que leva o Terror a um extremo desconfortável, capaz de deixar o espectador sem palavras durante os minutos que se seguem. Um filme que marca a edição deste ano do festival MOTELx!

stars_16

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