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Crítica / MOTELx | Purgatorio (2014)

  • Realizado por: Pau Teixidor
  • Com: Oona Chaplin, Sergi Méndez, Andrés Gertrúdix
  • 79 Minutos

Se a tua mulher/namorada tiver problemas em ficar sozinha em casa à noite o melhor que tens a fazer é deixá-la perturbada antes de a deixares em casa para ires trabalhar no turno noturno… É esta a lição que se aprende em Purgatorio de Pau Teixidor. Quase meia hora depois e com o coração aos pulos por culpa de um miúdo irrequieto e mal comportado passei a ter medo dos meus vizinhos… Bem dos meus vizinhos e dos pedidos malévolos deles. Pois é daqui que nasce uma história intensa e surpreendente em que o Terror se une ao Drama para construir uma narrativa no mínimo empolgante. Já dizia o realizador do filme ainda antes da exibição deste que queria fazer uma obra repleta de sangue mas teve de ceder aos desejos e interesses dos produtores. Por um lado, devo admitir que gostaria de ver tripas a voar de um lado para o outro mas a verdade é que a intensidade de Purgatorio (ponto mais favorável do filme) tem como fonte o drama de uma mãe que se vê aprisionada à terrível morte do seu filho e que procura com o seu marido encontrar paz e sossego.

Acompanhamos então as peripécias de uma noite sem tréguas para a pobre mulher, após esta ter aceitado tomar conta de um filho de uma vizinha. O rapaz, que parecia ser tímido e bem comportado, acaba por tornar a noite da mulher num autêntico pesadelo em que os receios de ficar sozinha e o desejo de rever o filho conduzem-na a uma odisseia de desespero com um fim incerto. As personagens, de uma natureza algo complexa, escondem segredos que vão sendo revelados ao longo do filme e cativam sobretudo pelas boas interpretações de um elenco que soube dar a intensidade necessária para que tudo funcionasse. Purgatorio relembra um pouco o ambiente sombrio e escuro de filmes como Rec mas não vê os sustos repentinos como arma principal para assustar/afetar os espetadores. Aqui, o terror é sobretudo psicológico… A agonia de perder um filho e a rudeza de uma criança que decide tornar a noite da pobre mulher num autêntico inferno do qual se fosse eu, teria saído porta fora daquele prédio.

Ainda que grande parte da trama se passe ao longo da noite, com um desenvolvimento muito lento desta e mesmo que a história não tenha um grande potencial, há que reconhecer o esforço de Pau Teixidor em criar um ambiente aterrorizante sem recorrer aos usuais clichés do género. Um filme que marca sobretudo pela experiência que proporciona e não tanto pela história. Purgatorio sobressai pelas suas estranhas peripécias, pela relação claustrofóbica entre a mulher e o miúdo e pelos aspetos tenebrosos da natureza humana que destaca.

stars_12

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