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Crítica / MOTELx 2015 | A Visita (2015)

  • Realizado por: M. Night Shyamalan
  • Com: Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan
  • 94 Minutos
  • As críticas MOTELx estão apenas disponíveis em Português

Parece que depois de tantas desilusões, M. Night Syamalan encontrou-se finalmente com o seu género e com os twists característicos que fizeram dele um dos realizadores mais promissores de Hollywood (isto quando Signs era uma novidade). Os fracassados After Earth, Last Airbender e The Happening quase que mancharam a carreira de MHS e, para dizer a verdade, esta ainda está dependente do sucesso deste novo filme. Uma fusão de comédia, suspense e terror à lá Shyamalan é o que podemos encontrar n’ A Visita, um filme estilo found-footage / fake-doc com uma história particularmente obscura na qual existe uma clara falta de tensão, provocada pela mixórdia de géneros. É aqui que assenta um dos maiores problemas do filme: a falta de definição… Para o espetador que procura tirar alguma substância da trama, A Visita oferece muito pouco para satisfazer esse desejo.

Há momentos de comédia, ou pelo menos a tentativa de humorizar a trama, para os quais os dois irmãos contribuem… E entre os dois, aquele que contribuí mais é o irmão mais novo, Tyler, com uma série de piadas de tom satírico e de rimas que procuram criar uma ligação com a personagem mas que prejudicam de certa forma a tensão da história. No entanto, a química entre os dois é, no mínimo, encantadora, fazendo sobressair as diferenças entre ambos e ajudando a criar um elo de ligação entre os espetadores e as personagens. Becca é a aspirante a cinéfila que procura com a gravação do documentário, surpreender a mãe com o perdão dos avós. Infelizmente, por muito boas que tenham sido as intenções dos miúdos, nada os podia preparar para a semana de loucos que teriam de enfrentar.

Para um filme, cuja tagline menciona a regra de não sair do quarto depois das 21:30, seria de esperar que a melhor parte da trama se desenrolasse lá para as altas horas da noite. No entanto, após essa hora, o espetador tem de se contentar com as típicas jump scenes provocadas por uma espécie de sonambulismo psicótico da avó que vagueia pela casa a fazer coisas estranhas. É então, durante o dia que o suspense melhor se revela, com os dois irmãos a tentarem perceber o que por ali se passa e a ignorarem de certa forma a estranheza de tudo aquilo e os avós a tratarem-nos de uma forma tensa e misteriosa. Desde um pedido estranho a Becca para entrar no forno para o limpar às particularidades do avô que, por exemplo, diversas vezes se veste para um baile de máscaras que não existe, nada ali me deixaria confiante a aceitar uma bolacha ou um doce por parte daqueles avós.

É dos avós que podemos esperar algumas das peripécias mais estranhas da carreira de Shyamalan e devo dizer por vezes os desempenhos destes parecem de certa forma exagerados e nada naturais. Para uma mãe que parte para um cruzeiro com o namorado nada a poderia preparar para a aterradora experiência que os filhos iam enfrentar com um twist à lá Shyamalan pelo meio e um final que esteve quase a corresponder às minhas expectativas, em que toda a tensão se desmoronou para dar lugar a uma conclusão sádica. Para lá das tentativas humorísticas necessárias, existe potencial neste regresso de Shyamalan. Os fãs do género podem dar-se por satisfeitos com o mistério e a envolvente intensa que se gera à volta da história. O ritmo é como já disse irregular, o que prejudica a experiência, dando lugar a momentos que arruínam a tensão e o desespero das personagens. A originalidade do realizador existe e é notória mas não se sobressai o suficiente para merecer um grande destaque. A Visita é uma experiência quase psicótica de hora e meia a evitar se uma visita aos avós estiver nos planos.

Ainda que não seja um enorme contributo para o género, a verdade é que este é o regresso de Shyamalan ao suspense depois dos fracassos, acabou por ser agradável, permitindo o reconciliar do realizador com os espetadores. Talvez as minhas baixas expectativas tenham contribuído para apreciar o filme mas a verdade é que existe algum encanto nesta horrível história familiar que me deixou um pouco desconfortável no segundo ato. A Visita pode não ser o melhor trabalho de Shyamalan mas é possivelmente um dos filmes mais provocadores da sua filmografia. Um mistério que se desenrola com uns bons biscoitos pelo meio… A verdade é que mesmo com falhas e momentos menos agradáveis, A Visita não deixa de ser uma experiência tenebrosa para se ver sem avós por perto.

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