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Blogger’s Choice | Jump Cuts

bloggerschoicelogo_03Esta semana, o blogue escolhido para a edição do Blogger’s Choice é o Jump Cuts (https://jpcuts.wordpress.com/), um blog de cinema recente, da autoria de João Santos, e que tem vindo a demonstrar um grande potencial na blogosfera, com críticas a séries e filmes e um incentivo à discussão (saudável). Por se tratar de um blog que procura se distanciar do usual, aproveitei para convidar o autor para uma edição diferente, que marca um novo rumo na vida desta rúbrica. Um Blogger’s Choice de cara lavada é aquilo que se pretende com esta nova edição, aberto àqueles que se queiram expressar e que dia após dia partilham as suas opiniões sobre as tramas a que assistem quer no pequeno, quer no grande ecrã.

  • Uma pequena apresentação…

João Santos: Bem, o Jump Cuts, apesar de toda a informalidade brejeira que por vezes escapa lá para o meio dos artigos mais “profissionais”, não é pensado como um blog pessoal, nem como um repositório unicamente direccionado para os meus devaneios. A intenção é a de reunir um conjunto de pessoas interessadas, com vontade e talento para cobrir o maior número de assuntos/filmes/séries/etc possíveis. De certo modo, criar um fórum colaborativo de discussão saudável sobre aquilo que nos entretém todos os dias; deixar que boas vozes portuguesas se ouçam e cheguem a um maior público. Este meio ano já deu para amadurecer uma audiência interessada no que o Jump Cuts tem para dizer; agora resta expandi-la.

  • Qual foi o(s) filme(s) que te tornaram num fã da sétima arte?

J.S.:Pá, o Fight Club, do Fincher, foi o primeiro a foder-me a cabeça. Como puto que eu era corri para todo o lado a a espalhar o bom nome do filme, a pensar que tinha descoberto uma obra-prima esquecida pelo tempo. Não tinha, claro. Mas a pensar bem, bem na coisa, os filmes do Miyazaki que chegaram dobrados cá a Portugal também me ajudaram a crescer como espectador informado de cinema. A violência, as cores, os monstros; sonhava e tinha pesadelos com aquilo, não havia nada melhor. Cinefilia cerebral à parte, schlok de terror do início dos anos 2000 como o primeiro Resident Evil e o segundo Underworld também me acompanharam em muitas tardes preguiçosas e noites de procrastinação. A Milla e a Kate de pistolas em punho são imagens que acarinho muito.

  • Como blogger, qual é para ti o aspecto mais complicado na gestão do blog?

J.S.:Que artigos escrever? Escrever em português, ou em inglês? Não escrevo só para mim: escrevo para quem quer ler. Escrevo para quem quer partilhar de uma opinião, para quem a quer discutir, ou não. Apreciações e críticas são muito giras e tal mas o que me interessa também são as opiniões dos outros, o que isso diz sobre os filmes ou sobre as séries em questão e como elas definem o meu próprio ponto de vista. Acho que o mais complicado em gerir um blog é saber aquilo que realmente interessa, não só a nós como escritores, mas também ao público no geral. Entrar num discorrer intelectual ultra-analítico tem a sua piada, assim como um número respeitável de leitores, mas dificilmente interessa ao espetador comum. Idem para as gordas colheres de sopa que são as notícias do género de superheróis, embora para o público inverso. Interessam-me ambos em igual medida, assim como tudo pelo meio. E hoje em dia os portugueses (jovens e adultos) estão muito habituados a ter este tipo de informação em sites lá das américas, com o cérebro a formatar-se cada vez mais para as expressões idiomáticas inglesas, confinando ao esquecimento os nossos preciosismos portugueses. Também sofro disso. Agora, criar um discurso pensado, saudável e acima de tudo acessível, em português; acho que esse é o verdadeiro desafio na gestão de um blog, de um site, de uma magazine, do que quer que seja.

  • Qual foi a crítica que te deu mais gozo escrever até hoje?

J.S.:Dão-me todas gozo. Tiro proveito de destruir maus filmes à paulada verbal, tiro proveito de elogiar bons filmes o melhor que consigo. Às vezes sai verborreia mental pateta, outras vezes até me safo. Não ando nisto há tanto tempo assim para ter uma crítica “preferida”.

  • Sequelas, spin-offs, remakes… Todos nos queixamos uma vez ou outra mas todos temos os nossos guilty pleasures… Qual é o regresso que mais anseias para os próximos meses/anos?

J.S.:A sétima vinda de Star Wars. Essa cultura incestuosa de sequelas, reboots e tudo o mais que Hollywood perpetua só é um problema porque a alta-cultura diz que é. Verdade, a maior parte dos filmes que de lá saem são uma bosta autêntica, mas por vezes dão-nos pérolas como o último Mad Max ou o The Dark Knight. A exposição a estes blockbusters de fast-food é tanta e em tal dimensão que parece preencher tudo o que é cinema; mas basta procurar um bocado para saber que isso não é verdade. Quem se queixa não procura, e quem não se queixa é porque está bem servido com a porcaria constante que assola o grande ecrã. Mas sim, Star Wars, só para ter o Han Solo já silver fox e ainda assim partir corações.

  • Cinema em sala ou cinema em casa? Porquê?

J.S.:Cinema em sala. É complicado replicar aquele sentimento de comunhão que é ter uma sala cheia reunida para assistir a um filme, ainda que a trincar pipocas ou a olhar para a porcaria dos telemóveis. Hoje em dia pode ser raro encher uma sala, mas só este ano já estive num par delas e sempre que aconteceu, toda a experiência de ver o filme foi melhorada por esse simples facto. Agora, ter uma sala de cinema em casa, rodeado pela família e amigos? Com boa imagem, bom som, bom tudo? Pá, isso é o ideal.

  • Assim rapidamente, 3 filmes favoritos deste ano?

J.S.:O já referido Mad Max, porque subverte tudo o que está de errado com o cinema blockbuster contemporâneo. Capitão Falcão, porque mostra que o cinema português também pode ser comercial e bom, uma ideia que parece escapar a mentes supostamente mais lúcidas do que a minha. E o primeiro volume d’As 1001 Noites, porque me revejo no realismo quase mágico de Miguel Gomes, na atitude rock and roll e no graúdo dedo do meio ao Estado Português.

  • Qual é para ti o derradeiro filme de Verão?

J.S.:Boa pergunta. Sei lá. Se tivesse visto o Jaws sem ser com as mãos à frente dos olhos provavelmente diria esse, mas assim à pressão só me lembro da aposta arriscada da Marvel no ano passado lá com a árvore andante e o guaxinim arruaceiro. Guardiões da Galáxia foi mágico para mim e já o revi um número absurdo de vezes desde Agosto passado. Tem explosões, tem humor, tem grandes personagens e é belíssimo. A atenção do Gunn ao detalhe de cada nave espacial, monstro e planeta é abismal. Clicou comigo (e com as audiências) de uma forma rara. Ainda estou hooked on a feeling, por assim dizer.

  • Quando o ‘It Follows’ estava em sala, referiste e com toda a razão, a grande banda-sonora do filme… Isto leva-me a perguntar-te qual é para ti o papel das músicas no cinema?

J.S.:Sugerir. Odeio quando a banda-sonora grita as emoções das personagens, ou adivinha estupidamente qualquer plot twistjump scare ou “grande momento dramático” que esteja para acontecer. Como tudo no cinema, a melhor banda-sonora é aquela que, ainda que não propriamente invisível, passe despercebida sem realmente o fazer. Todos conseguimos cantarolar a marcha imperial do John Williams no Star Wars ou o trecho mágico do Harry Potter, mas essas melodias existem em serviço da cena em questão, não como substitutos exacerbados para um qualquer buraco narrativo. James Newton Howard, Danny Elfman, Clint Massell… todos compositores muito diferentes, mas todos com a noção perfeita do uso da música na sétima arte.

  • Uma série que gostasses de ver convertida em filme (ou vice-versa)?

J.S.:Gostava de ver aquilo que os criadores de Archer fariam à série com a duração e orçamento de um filme de Hollywood. A animação já é das melhores na TV, mas assistir àquela veia particular de anarquia subversiva numa tela grande, meticulosamente detalhada e animada, faz-me salivar por todo o lado. Ahem, phrasing.

  • Para terminar, qual foi o filme que mais te desiludiu este ano, e porquê?

J.S.:A bosta (com boas críticas) que é o Ant-Man. O vilão é terrível, a narrativa é desinspirada, as personagens não saltam do papel, e a melhor protagonista, a Hope Van Dyne da Evangeline Lilly, é atirada para os cantos pelo filme e ridicularizada pelo comentário-meta da Marvel em relação à ausência de heroínas no MCU. O humor, por melhor que seja, não chega para perdoar as suas falhas. E o que mais me custa, é que cheiro a genialidade do Edgar Wright lá numas cenas e imagino o que podia ter sido, mas por um golpe infeliz do destino não foi. Não há verdadeiros artistas visuais na Marvel (salvo um ou outro James Gunn), e isso começa a sentir-se.

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