★★★★, Português, Reviews
Comments 2

Crítica | Vai Seguir-te (2014)

it follows title

  • Realizado por: David Robert Mitchell
  • Com: Maika Monroe, Keir Gilchrist, Olivia Luccardi
  • 100 Minutos
  • English: british-flag

O entusiasmo à volta do filme era tanto que tive de o ver mal tivesse oportunidade… Um dos destaques da edição passada do festival MOTELx e que chegou esta semana às salas nacionais. Após ver O Senhor Babadook pensei que fosse apenas um caso isolado e uma ‘obra-prima’ do género mas depois de dar uma vista de olhos pelo trabalho fantástico de David Robert Mitchell tornou-se fácil concluir a versatilidade do horror indie que se torna aos poucos na esperança do género. Influenciado pelos anos 70 e 80, Vai Seguir-te é uma viagem rara, intensa e caracterizada por um estilo peculiar construído à volta de uma premissa nada usual. Uma viagem estilizada que é tanto surpreendente como entusiasmante. A razão pela qual o género tem visto uma enorme queda na qualidade está sobretudo concentrada na falta de originalidade e de empatia nos filmes mais actuais. De personagens fracas a enredos que deixam muito a desejar, muito tem falhado no género… E neste filme de David Mitchell, mesmo que a história não seja a melhor possível, a combinação de uma série de atributos fulcrais torna-o numa terrível experiência capaz de deixar o espetador com uma sensação claustrofóbica durante toda a duração.

Para a jovem Jay, de 19 anos, o Outono deveria ser sinónimo de escola, rapazes e fins de semana no lago. Mas na sequência de um encontro sexual aparentemente inocente, Jay vê-se atormentada por estranhas visões e pela terrível sensação latente de que alguém ou algo está a segui-la. Perante esta situação, Jay e os seus jovens amigos têm de encontrar forma de escapar aos horrores que parecem estar sempre no seu encalço. [Sinpose retirada de SAPO]

Ao longo do filme, a entidade misteriosa que se apresenta como uma armadilha impossível de escapar é introduzida por uma série de músicas intrigantes e intensas que me fizeram perguntar a mim mesmo, diversas vezes, o que por ali se passava. Será este o filme ideal para igrejas e pais informarem os jovens dos perigos de ser sexualmente activo? Não me parece o caso mas se houver a probabilidade de ficar amaldiçoado para o resto da vida, Vai Seguir-te poderá ser uma boa alternativa a anúncios pouco eficazes. As personagens acabam por nunca ver um momento em que possam brilhar e, pessoalmente, apresentam-se pouco desenvolvidas quando comparadas com o enredo que dá voltas e voltas num ciclo infinito que rodeia Jay, a rapariga que vê a sua vida andar para trás depois de uma noite que acabou menos bem. No fim de contas, mesmo com o esforço de todo um jovem elenco, é esta a rapariga que se destaca mais, acabando as restantes personagens por serem meros acessórios a uma história que vive da sua premissa. Com uma série de eventos nada usuais, o filme funciona sobretudo pela combinação de um enredo bizarro com uma banda-sonora incrível, repleta de faixas intensas e absorventes e com um ritmo que nos deixa agarrados ao ecrã do início ao fim.

De destacar também a cinematografia e as várias sequências que capturam toda a envolvente e que tornam Vai Seguir-te numa experiência no mínimo original e com um estilo muito próprio. Ainda que tenha os seus clichés, o filme consegue ser claustrofóbico graças a um desenvolvimento diferente e invulgar que complementa os momentos mais previsíveis. Contudo, é de referir que para o desenrolar da história, o final é abrupto e deixa em aberto alguns aspetos da história que poderiam ser mais desenvolvidos. É de referir que existem aspectos interessantes espalhados pelo filme e que serviram de base ao desenvolvimento de teorias que tornam a experiência ainda mais cativante. A essência dos anos 80 é uma presença constante e para os mais céticos, a única saída desta viagem é esperar pelo fim da história. Vai Seguir-te foi construído à volta de uma premissa bizarra que acabou por dar lugar a uma das grandes surpresas do género. Um filme cativante e claustrofóbico conduzido por jovens actores que dão o seu melhor e que se apresenta como uma das obras mais irreverentes do cinema de terror.

stars_16

Advertisements

2 Comments

  1. Pingback: Review | It Follows (2014) | Panda's Choice

  2. Pingback: Bamboo Awards 2015 | Os Melhores do Ano | Panda's Choice

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s