★★★, Português, Reviews
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Crítica | Morte Limpa (2015)

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  • Realizado por: Andrew Niccol
  • Com:Ethan Hawke, January Jones, Zoë Kravitz
  • 102 Minutos
  • English: british-flag

Numa era dominada pela tecnologia, torna-se interessante ver a forma como esta afetou a Guerra… Este salto gigante em direção à evolução aproximou-nos de um mundo melhor e Morte Limpa introduz-nos a uma perspetiva diferente da guerra e aos novos desafios que surgem com o avanço tecnológico. Uma perspetiva baseada na forma como as táticas de guerra foram modificadas, adaptando-se a novas armas cada vez mais eficazes. Seguimos pilotos da Força Aérea numa missão cujo objetivo é neutralizar todas as possíveis ameaças à segurança dos Estados Unidos. Contudo, em vez de voarem nos típicos aviões que vemos em filmes do género, estes pilotos sentam-se ao comando de drones que lhes permitem combater na guerra sem por em risco a sua segurança. Com um sentimento constante de dúvida e um desejo enorme de defender o país e de voar, estes soldados são confrontados com situações devastadoras que me fizeram questionar o quão justa é esta guerra contra o terror…

O Major Tommy Egan (Ethan Hawk) é um piloto de caça que voou um F-16, no Iraque e no Afeganistão, e que atualmente combate os Talibans por controle remoto, manobrando um drone durante 12 horas por dia, a partir de uma cabine com ar condicionado, a 7.000 milhas de distância, numa base perto de Las Vegas. Mas Tommy está a tornar-se uma vítima da guerra que ele próprio está a lutar. Progressivamente, vai-se desligando da vida real, sentindo-se cada vez mais próximo dos alvos que tem de vigiar do que da sua própria família. O que acontece quando o piloto começa a questionar a missão? Estará Tommy a criar mais terroristas do que os que tem matado? Estará ele empenhado numa guerra sem fim? MORTE LIMPA retrata a nova esquizofrenia da guerra. Passado na era da maior escalada de ataques aéreos com drones, MORTE LIMPA aborda os conflitos e dilemas morais do uso desta nova tecnologia. [Sinopse por NOS Audiovisuais]

É devastador parar para pensar no facto de que toda aquela Guerra não tem um fim à vista, contabilizando já tantas e tantas vidas que lutam pelas suas crenças. Nenhum dos lados pode desistir mas ao mesmo tempo é necessário refletir na ética por trás de algumas destas missões. As primeiras missões no filme são, por exemplo, bastante normais quando comparadas com as que assistimos no segundo acto da história, sobretudo por questões éticas… A relação entre Thomas Egan e a sua mulher já viu melhores dias, o que acaba por pesar ainda mais na mente de um homem que se vê constantemente afogado em problemas e encruzilhadas. No meio do ar, os pilotos têm pouca noção daquilo que se passa a vários pés de altitude, pelo menos quando comparado com a qualidade de imagem proporcionada pelos drones. Como uma arma, estes revelam-se tremendamente eficazes mas ao mesmo tempo dão as pilotos uma desagradável oportunidade de experienciarem uma realidade devastador num cenário dominado pela crueldade do homem. Alguns dos eventos são bastante complicados de assistir e enquanto a história se desenrola, somos introduzidos a uma família composta por uma mulher e um filho que se vê ameaçada pelas mãos de um homem sem escrúpulos. Esta dura realidade e o facto de que é impossível fazer alguma coisa para solucionar todo aquele caos leva estes bravos pilotos à loucura e a questionarem-se quem são os maus da fita ali. A tensão por trás de cada missão é empolgante e alguns dos momentos chocam o espetador pela forma nua e crua como apresentam aquela realidade.

As missões são eficazes e intensas e é de referir que existe uma camada sólida de drama e de tensão no filme que, no final perde impacto pela falta de substância e profundidade. As personagens não contribuem o suficiente para a história, apresentando-se ali a cumprir ordens apenas, ainda que existe uma camada de sentimentos à volta de todos aqueles momentos. Ainda que não seja um filme de guerra memorável, levanta questões interessantes no que diz respeito à ética e á influência da tecnologia nas novas missões que, acompanhadas por um constante fluir de emoções à flor da pele, tornam Morte Limpa num retrato intenso e aterrador com potencial para entreter e desafiar os espetadores…

stars_11

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