O Senhor Babadook (2014)

O Senhor Babadook (2014)

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  • Realizado por: Jennifer Kent
  • Com: Essie Davis, Noah Wiseman, Daniel Henshall
  • 93 Minutos
  • English: british-flag

Desde a criação do blogue, tenho divulgado as minhas ideias relativamente à qualidade dos filmes de terror dos dias de hoje em diversos posts. Por esse motivo, vou tentar não fazer referências ao assunto neste pequena análise, ainda que fizesse todo o sentido comparar o estado da arte deste género icónico com o filme de estreia de Jennifer Kent. Numa altura em que o cliché e o banal predominam o universo, com diversas jump-scare scenes e histórias pouco desenvolvidas, o terror acaba por se desvanecer. Não há enredo, não há medo, não há qualquer tipo de essência e a atmosfera do filme é incapaz de provocar sentimentos no espectador. Felizmente, alguns filmes conseguem ser bem-sucedidos com esta fórmula, mas o mais interessante é ver o esforço de alguns realizadores que decidem investir numa remodelação do género. Cabin in the Woods foi uma revelação e The Conjuring também me conseguiu agradar. No entanto, nenhum deles foi capaz de me deixar como eu fiquei após ver pela primeira vez a estranha e peculiar criatura conhecida como Mr.Babadook…

A primeira vez que ouvi falar no filme foi durante a cobertura ao MOTELx do ano passado e já aí ouvia pequenos comentários sobre o quão incrível e assustador tinha sido. De facto, grande parte dos filmes de terror acabam por falhar redondamente em serem assustares, fruto duma abordagem dominada pelos pequenos saltos da cadeira, o que enaltece a abordagem rara escolhida por Jennifer Kent que optou por criar uma história coberta por um manto de escuridão. O Senhor Babadook é a história de uma mulher atormentada pela morte do seu marido e que enfrenta o pesadelo do seu filho: uma criatura misteriosa chamada Mr. Babadook. Interessado em magia desde pequeno, Samuel era grande entusiasta de histórias de monstros… Daquelas que a mãe lhe lia antes de ir dormir. Um dia, enquanto procurava um livro para a leitura da noite, depara-se com um livro diferente, com uma capa vermelha e de nome O Senhor Babadook. O que parecia ser apenas mais um livro infantil (um tanto ou quanto estranho) depressa se torna no maior pesadelo alguma vez vivido pela família.

O Senhor Babadook é, sem sombra de dúvidas, um filme intenso… A partir do momento em que mãe e filho começam a ler aquele pequeno livro aparentemente inofensivo, o filme muda de tom progressivamente e a atmosfera negra envolve o espectador até ao rolar dos créditos. Mesmo que não exista uma ligação com as personagens no início, o tom e o ritmo natural e curioso deste filme de terror chama a atenção e apodera-se dos nossos medos numa aventura aterrorizante. O Senhor Babadook começa por parecer um filme de monstros/possessões mas perde rapidamente esta pequena máscara enquanto a relação entre mãe e filho aprofundada… Uma relação que acaba por ser o ponto central de toda a história.

Um tom negro e uma banda sonora intensa são dois dos ingredientes principais deste filme mas no final, é a naturalidade deste que perdura. O monstro é de facto uma criatura assustadora e sempre qua aparece alguma coisa macabra/assustadora acontece mas todo o terror acaba por ser oriundo de uma relação misteriosa entre as duas personagens principais e na forma como estes lidam com esta maldição. Do início ao fim, o filme nunca perde a sua força e intensidade, tornando-se surpreendente pela sua história misteriosa e aterradora e pelas interpretações que acabam por assustar ainda mais que o próprio Mr. Babadook que dá nome ao filme…

Quer se goste ou não do género, o potencial de O Senhor Babadook não deixa ninguém indiferente. Enquanto é tudo aquilo que um verdadeiro fã do género podia pedir, o filme apresenta ao mesmo tempo uma narrativa intrigante com uma intensidade capaz de prender a atenção do espetador do início ao fim. Sem a previsibilidade associada ao género nos últimos anos e com um estilo muito particular que me atraiu por completo, O Senhor Babadook tem tudo para ser visto como a história de terror dos dias modernos. Um filme violento, agradável e verdadeiramente surpreendente que não deixa espaço para o desagrado e que justifica todo o entusiasmo por trás da estreia de Jennifer Kent como realizadora. Um pesadelo trágico capaz de provocar o espetador e de se tornar num dos melhores filmes de terror da década!

stars_5



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